A Matemática em Daniel 9

07-06-2012 00:20
O anjo enviado em resposta à oração de Daniel (Dan. 9:21 e 22) dividiu as 70 semanas, ou 490 anos, em 7 semanas (ou 49 anos), 62 semanas (ou 434 anos) e 1 semana (ou 7 anos). Ele ainda subdividiu a última semana em 3½ anos + 3½ anos. O primeiro período nos leva até a conclusão da reconstrução de Jerusalém, precisamente no ano 408 a.C. Não há, em verdade, um testemunho histórico que nos indique ser este o ano em que as obras de reconstrução chegaram ao fim. Aceitamos este ano por indicação da profecia.
 
O segundo período atinge o batismo de Jesus, exatamente quando Ele foi ungido com o Espírito Santo (verAtos 10:38); significa que, do momento em que a reconstrução de Jerusalém foi dada como concluída até o batismo de Jesus passaram 62 semanas, ou 434 anos. Como lidamos aqui com um evento para o qual não temos referência histórica, o término da reconstrução de Jerusalém, costumamos englobar as 7 semanas e as 62 e trabalhar com 69 semanas ou 483 anos. Então, para sabermos até onde este montante nos conduz, costumamos fazer o cálculo a partir do ano em que foi sancionado o decreto para a referida reconstrução, 457 a.C. Em outras palavras, entendemos que desde esse ano até o batismo de Jesus passaram-se 483 anos.

Como a data é 457 antes de Cristo, precisamos subtrair esse valor de 483 para sabermos quantos anos sobram para depois de Cristo. Chegamos, então, a 26 a.D, um tanto surpresos porque esperaríamos que o resultado indicasse 27, o ano do batismo de Jesus. A lição explica o porquê desta diferença lembrando que o ano zero, na transição da era pré-cristã para a cristã, não existe, e que, portanto, devemos somar 1 a 26 para termos o resultado correto.

Explico de outra forma esse detalhe. O problema é que, no cálculo acima, estamos subtraindo data de número de anos e, assim agindo, nunca chegaremos com precisão ao resultado correto, pois data e número de anos não se equivalem, exceto quando, no caso de uma data antes de Cristo, o evento tiver ocorrido em 1° de janeiro, e o ano, relativo a essa data, estiver ainda por transcorrer. Mas isso não acontece no caso da emissão do decreto de Artaxerxes. Em meu comentário final da lição anterior, mostrei que há forte evidência de que devemos computar as 70 semanas e os 2.300 dias/anos a partir do dia da expiação de 457 a.C, pois só então o decreto de Artaxerxes entrou em exercício. Esta festa ocorria no princípio do outono (hemisfério norte), o que significa que ainda ¼ desse ano faltava transcorrer. Como o ano seguinte é 456 a.C., afirmamos que a referida data, transformada em número de anos, equivale a 456 anos completos a.C. + ¼ do ano anterior.

Isto estabelecido, poderemos subtrair número de anos de número de anos, ou seja: 483 - 456¼. Esta conta, entretanto, nos oferece a dificuldade de extrairmos um valor com fração de um número inteiro. Este, portanto, precisa ser transformado também num valor com fração. Já que estou trabalhando com quartos, e considerando que 1 é o mesmo que 4/4, transformo 483 em 482 + 4/4, e então, posso fazer a conta e chegar com precisão na data correta. Vejamos: 4824/4 – 4561/4 = 263/4. Isto significa que, passados 26 anos completos da era cristã mais ¾ do ano seguinte, 27, teve lugar o batismo de Jesus, ou seja, Ele foi batizado por volta do dia da expiação de 27 a.D. No mínimo, é interessante a ideia de que, na ocasião em que era escolhido o bode expiatório para ser sacrificado pelos pecados do povo, Jesus Se apresentou para ser batizado e começar o Seu ministério salvífico. Ele disse a João Batista: "...nos convém cumprir toda a justiça" (Mat 3.:15).

O Messias morto no meio da semana

Consideradas 69 das 70 semanas, fica restando a última. O anjo afirmou que, depois destas 69 semanas, "será morto o Ungido" (v. 26); esta afirmação está em paralelo com "na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares", do verso 27, numa relação de causa e efeito: a morte do Messias colocaria um fim no sistema sacrifical dos judeus. Esta é, precisamente, a mensagem do Novo Testamento. Ao Jesus morrer, todos os antigos sacrifícios do templo de Jerusalém encontraram seu cumprimento definitivo e perderam a razão de ser. Apesar de os judeus, após a morte de Jesus, prosseguirem oferecendo seus sacrifícios, estes, em realidade, não mais tinham qualquer sentido. O primeiro evangelista nos informa a esse respeito descrevendo, de forma dramática, a morte de Jesus simultânea com o rasgar, de alto a baixo, do véu separatório entre os Lugares Santo e Santíssimo do santuário terrestre (Mat. 27:51). E a epístola aos Hebreus aborda, com mais exatidão ainda, o relacionamento tipo/antítipo entre os sacrifícios da antiga dispensação e o de Jesus. Como a luz faz com a sombra, o antítipo simplesmente havia absorvido o tipo.

O anjo afirmou que o Messias seria morto na metade da última semana, isto é, três anos e meio depois de batizado. Que foi esta a duração do ministério terrestre de Jesus pode-se deduzir dos Evangelhos, principalmente o de João. Temos, então, que somar (pois já nos achamos na era cristã) 3½ anos a 26¾. Como estamos lidando com quartos, uso 2/4 em lugar de ½. Assim temos: 263/4 + 32/4 = 295/4. Mas 5/4 corresponde a 4/4, que é um inteiro, mais ¼. Em outras palavras, 295/4 é igual a 30¼, o que significa que quando tivessem passados 30 anos completos da era cristã mais ¼ do ano seguinte, 31, Jesus seria morto. De fato, Ele foi crucificado em 14 de Nisan, o dia da Páscoa (que corresponde a março/abril), quando ¼ de 31 havia passado.

A última semana

Temos, então, que considerar mais 32/4 anos para chegarmos ao fim da última semana, o que significa chegar ao fim dos 490 anos: 301/4 + 32/4 = 333/4, ou seja, quando tivessem passado 33 anos completos da era cristã, mais ¾ do ano seguinte, 34, as setenta semanas chegariam ao fim. Por volta da expiação de 34, Estevão morreu e chegou ao fim o período de oportunidade para os judeus, não como indivíduos, mas como nação. A partir desse momento, o evangelho foi levado a todas as nações, não havendo mais um grupo étnico específico que fosse considerado "povo de Deus". Este passou a ser a Igreja, constituída de membros provindos de todas as etnias. Gabriel afirmou também que o "Ungido" faria "firme aliança" (v. 27). Esta é a "nova aliança" estabelecida com o sacrifício de Jesus, e que incorpora todos os que crêem no evangelho, não importando a raça. Quando, porém, nos é dito que esta aliança seria feita "com muitos" e "por uma semana", o anjo estava se referindo aos muitos judeus (incluindo prosélitos) que aceitaram o evangelho entre 27 e 34 d.C., precisamente os limites desta última semana. Antes do apedrejamento de Estevão, nenhum gentio tornou-se cristão. Foi especificamente a partir da conversão de Saulo, ocorrida no mesmo ano, que o evangelho avançou pelo mundo.

1844 Simplificado

Subtraindo 490 de 2.300 sobram 1.810 como número de anos que deviam transcorrer de 34 d.C. até o fim deste período. Somando, então, 1.810 a 33 e ¾ chegamos a 1843 e ¾, ou seja, quando passassem 1843 anos completos da era cristã, mais ¾ do ano seguinte, os 2.300 anos chegariam ao fim. Realmente, o maior período profético registrado nas Escrituras se estendeu até outubro de 1844. Chega-se a esse mesmo resultado com uma contagem direta, isto é, sem passar pelas 70 semanas. Basta subtrair 456¼ de 2300 (ou 22994/4). Mas não devemos desconsiderar as 70 semanas, pois com elas fica demonstrado que os 2.300 anos estão todos vinculados a Jesus, isto é, Jesus é também o centro desta grande profecia. Como o estudo de hoje observa, "o próprio Jesus é a segurança desta profecia. Obviamente, Deus considerou tão importante a profecia dos 2.300 dias para, em sentido muito real, fundá-la em Jesus, na maior e mais precisa profecia a respeito de Sua missão terrestre, a profecia das 70 semanas de Daniel 9."

Estes cálculos, incluindo os 1.810 anos que restam quando se subtraem os 490 anos de 2.300.

Os propósitos das 70 semanas: Seis propósitos constantes das 70 semanas são alistados em Daniel 9:24. Os quatro primeiros se conectam diretamente à cruz. Em outras palavras, é por causa da morte de Cristo que a transgressão é cessada; dá-se um fim ao pecado; expia-se a iniquidade; e  a "justiça eterna" é trazida. Diríamos, entretanto, que os dois últimos propósitos, de "selar a visão e a profecia" e "ungir o Santo dos Santos", que aparentemente fogem à centralidade da cruz, também são, de fato, exclusivamente dependentes do que aconteceu no Calvário.

A unção "do Santos dos Santos" não se refere ao batismo de Jesus, mas à abertura do ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial. Esse ministério, todavia, é totalmente dependente do Calvário porque, como explica o livro de Hebreus, assim como o sacerdote não entrava no santuário terrestre "sem sangue" (9:7), também Cristo, "pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção" (v. 12). A cruz, portanto, é decisiva para a efetivação do ministério sacerdotal de Jesus.

O quinto propósito, "selar a visão e a profecia", aplica-se ao todo da profecia bíblica em geral, e especificamente à profecia das 2.300 tardes e manhãs em particular, pois o cumprimento exato dos eventos previstos nas 70 semanas, com especial referência à cruz, autentica esta profecia, garantindo a propriedade da interpretação que damos a ela, e validando o cumprimento do evento a ela vinculado.

O propósito da explicação de Gabriel Se Gabriel veio, então, para esclarecer o que não havia explicado em

Daniel 8, isto é, as 2.300 tardes e manhãs, por que se ateve ele apenas às 70 semanas e não ao período completo? Por que silenciou sobre os 1.810 dias/anos restantes? (2.300 - 490 = 1.810)
 
Primeiramente, devemos observar que Gabriel não foi totalmente omisso com respeito às 2.300 tardes e manhãs no capítulo 8. Ele declarou que o período se estenderia até o tempo do fim (vs. 19 e 26). No capítulo 9, o anjo não discutiu este ponto, mas limitou suas ponderações àquilo que tinha que ver diretamente com a angústia de Daniel e sua intercessão. Era o povo judeu que estava em foco aqui, pois era com ele, o seu próprio povo, que Daniel estava preocupado. O anjo, então, comunicou ao profeta que a restauração seria tão plena que iria além do social e político. Seria, antes de tudo, uma restauração espiritual, nos moldes da petição do profeta.

O anjo se referiu, é verdade, à "saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém" (v. 25). Mas falou muito mais da vinda do Messias e dos resultados de Sua obra redentora. Todos os males praticados por Israel, e que resultaram no cativeiro, males que Daniel confessou em oração (transgressões, pecados, iniquidades, rebeldia etc.), seriam devidamente sanados. Repetindo aqui os seis propósitos, "setenta semanas estão determinadas [destacadas, separadas] sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna [o que Paulo chama de justiça pela fé], para selar a visão e a profecia [é a cruz, como vimos, que dá o toque de autenticidade a toda visão e profecia da Palavra de Deus, e garante o seu cumprimento], e para ungir o santo dos santos [entraria em vigência o ministério daquele santuário que o Senhor edificou, e não o homem]" (v. 24). Não é esta a "restauração" que não somente garante, mas incorpora e no devido tempo introduz o momento glorioso em que surgem "novos céus" e "nova Terra", e que pecado e pecadores serão coisa do passado?
 
Além disso, qual teria sido o efeito para o idoso Daniel se o anjo lhe revelasse que pelo menos mais 25 séculos passariam e o mal ainda não teria sido eliminado? A plena consciência daquilo que o fim das 2.300 tardes e manhãs significava foi, misericordiosamente, velada ao profeta e às gerações seguintes. Estaria reservada para aqueles que vivessem a partir do "tempo do fim". Até esse ponto, este aspecto e outros da profecia de Daniel estariam selados e fora do alcance da correta compreensão. Quando, porém, este tempo chegasse, seria facultado o conhecimento destas preciosíssimas verdades (Dan. 12:4).
 
Já mostramos gratidão a Deus por vivermos nesse tempo?
 
Está você cônscio da responsabilidade que este privilégio te traz?
 
 

 

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"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26