23 - Matrimônio e Família

29-07-2012 01:42

 

O casamento foi divinamente estabelecido no Éden e confirmado por Jesus como união vitalícia entre um homem e uma mulher, em amoroso companheirismo. Para o cristão, o compromisso matrimonial é com Deus bem como com o cônjuge, e só deve ser assumido entre parceiros que partilham da mesma fé. Mútuo amor, honra, respeito e responsabilidade constituem a estrutura dessa relação, a qual deve refletir o amor, a santidade, a intimidade e a constância da relação entre Cristo e Sua Igreja. No tocante ao divórcio, Jesus ensinou que a pessoa que se divorcia do cônjuge, a não ser por causa de fornicação, e se casa com outro, comete adultério. Conquanto algumas relações de família fiquem aquém do ideal, os consortes que se dedicam inteiramente um ao outro, em Cristo, podem alcançar amorosa unidade por meio da orientação do Espírito e a instrução da Igreja. Deus abençoa a família e tenciona que seus membros ajudem um ao outro a alcançar completa maturidade. Os pais devem educar os seus filhos a amar o Senhor e a obedecer-Lhe. Por seu exemplo e suas palavras, devem ensinar-lhes que Cristo é um disciplinador amoroso, sempre terno e solícito, desejando que eles se tornem membros do Seu corpo, a família de Deus. Crescente intimidade familiar é uma das características da mensagem final do evangelho.
 
Não soa estranho que tenhamos incluído entre as doutrinas da igreja uma que, pelo menos à primeira vista, parece ser mais cultural do que bíblica? Será que casamentos felizes e lares estáveis são essenciais para a saúde espiritual? Por que a vida em família é tão importante para nós? Quem necessita, mesmo, de uma família?
Um menino de cinco anos de idade chegou à conclusão de que não necessitava de sua família. Disse à sua mãe que não se sentia bem em casa, que estavam lhe exigindo que realizasse mais tarefas que seus irmãos, por isso ele ia embora, viver com uma tia. A tia o tratava melhor!
A mãe, compreensiva como geralmente são as mães (embora o garoto não reconhecesse isso), ajudou o menino a arrumar uma mala. Foi sugerindo a ele que não se esquecesse das camisetas, calças, bermudas, meias, carrinhos de brinquedo, pano de chão, sabão em pó, escova de dentes, um pente – tudo o que uma pessoa que fosse viver independente podia precisar. Havia tanta coisa que eles tiveram que usar a mala maior. Depois de arrumar tudo, a mala estava tão cheia que não sobrou lugar para o canivete e ele teve que levá-lo no bolso.
O garoto arrastou a mala para a frente da casa e bravamente marchou pela calçada abaixo, disposto a conquistar o mundo. A mãe acenou e sorriu quando ele dobrou a esquina.
Apesar de toda a sua determinação, o menino não foi muito longe. A mala estava pesada demais para ele carregar. Quando chegou a um terreno baldio, sentou na grama e passou a analisar seu dilema. Logo chegou o pôr-do-sol, e ele concluiu que devia mesmo voltar para casa. Não porque tivesse mudado seus pensamentos a respeito das exigências da mãe. Não porque tivesse desistido de querer morar com a tia. Mas simplesmente porque ele era pequeno demais para carregar sua mala.
É exatamente para isto que servem as famílias: para ajudar a carregar as malas… ou para fazer tudo o mais que não somos capazes de fazer por nós mesmos!
 
Ceticismo a Respeito do Casamento
Quem necessita, mesmo, do casamento e da família? Para muitos, o casamento não é o estilo de vida de sua escolha. Atualmente menos moças estão dispostas a se casar do que antigamente, e muitas das que aceitam casar estão esperando mais tempo para tomar essa decisão do que antes.
Por quê? Será que não estão convencidas de que o casamento é tudo aquilo que alguns dizem que é? Muitos jovens cresceram em lares infelizes, nos quais os pais mais contribuíram para frustrar do que amar um ao outro.
Num programa de TV, vi algumas estatísticas: Mais da metade das crianças americanas têm de conviver com pais divorciados antes de completar 18 anos. Há mais lares com pais separados ou vivendo já no segundo ou terceiro casamento do que famílias nucleares no primeiro casamento. Há milhões de mulheres divorciadas e um número ainda maior de crianças vivendo abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos. Cinqüenta por cento dos pais divorciados não pagam toda a pensão estipulada em juízo, sendo que 24% nada pagam!
Outra razão por que alguns evitam o casamento é que acham que não precisam dele. Uma sociedade imoral está propondo relacionamentos abertos, sem os laços do casamento. Promete os benefícios do casamento, sem as responsabilidades: sexo sem compromisso; intimidade sem vulnerabilidade; segurança sem lealdade; e recompensas sem trabalho.
 
A pressão é imensa, mesmo sobre aqueles que desejam casar-se e tornar seu lar feliz. Manter uma família requer tempo e dinheiro, duas coisas bem escassas no mundo atual. O preparo para exercer um ofício ou profissão é um processo longo. As exigências em termos de educação são cada vez maiores. As limitações financeiras e as expectativas quanto ao estilo de vida aumentam as pressões sobre o orçamento. O número de famílias em que marido e mulher trabalham fora é cada vez maior.
Os jovens têm boas razões para temer os compromissos do casamento e para se mostrarem céticos diante das promessas de uma família estável. Mesmo dentro dos lares adventistas a situação não é muito diferente das demais famílias.
 
O que o Casamento e a Família Ensinam
As realidades sociais e culturais podem indicar a necessidade de fortalecermos a família adventista, mas não é isso que torna uma doutrina necessária. Para mim, a razão mais importante para incluir essa declaração entre as nossas doutrinas fundamentais é que a família é o ambiente adequado para testar diversas outras doutrinas. A relação com as demais doutrinas é a mesma que a comida e o menu de um restaurante.
O menu de um restaurante é um folheto que descreve os diversos pratos que você pode pedir. Para quem está com muita fome, bastaria uma descrição verbal do prato para dar água na boca e antecipar o sabor daquela comida. Mas as palavras do folheto, e até as fotos, apenas descrevem a comida; não são a comida. Alguém poderia ler o dia inteiro um menu de restaurante, mas isso não seria suficiente para alimentá-lo. O alimento tem que ser real, a pessoa tem que comê-lo, de fato, para que seja nutrida.
Há diversas e importantes doutrinas que se tornam vivas dentro do casamento. A criação, por exemplo. Quando eu esperava, na sala de parto, junto de minha esposa Bárbara, pelo nascimento de nossos filhos, posso garantir que tive uma nova compreensão do significado da criação.
Cada vez que ouvia um de meus filhos chorando, após uma queda ou depois da morte de um animalzinho de estimação, ou mesmo depois que um dos amiguinhos tinha se mudado para outra cidade, e eu desejava sofrer no lugar deles para que não continuassem sofrendo, então eu tinha uma pálida idéia do amor de Deus.
Quando Bárbara age de acordo com hábitos que eu não aprecio, ela me dá a chance de testar a capacidade de perdoar. E quando ela me protege dos ataques de um mundo crítico, ela me faz sentir o que é o dom da lealdade. Pertencer a minha família, com meus pais, Bárbara, minhas filhas, tios, tias e primos, mostra o valor dos relacionamentos dentro do corpo de Cristo que é a Igreja. Cada vez que há uma reunião de família vejo como uma antecipação da reunião com Deus.
Muitas outras ilustrações doutrinárias podem se tornar vivas através das relações de família e do casamento. Talvez seja interessante você gastar algum tempo com sua família reunida para pensar sobre a Trindade, o Espírito Santo ou o amor e a justiça de Deus.
Tristes, imperfeitas ou doloridas, as relações familiares afetam nossa percepção dessas doutrinas também. Um exemplo disso vi num livro de Martha Hanssen (Silent Scream) no qual ela conta como foi abusada sexualmente pelo pai. Anos depois, ela escreveu:
 
Deus,
Sou grata pela existência de Deus o Espírito
E também por Deus o Filho,
Porque eu não creio,
Nem meu coração consegue entender
Que Deus
É semelhante a um Pai.
 
O casamento e a família provêm o ambiente básico no qual aprendemos a amar e a ser amados. Aprendemos a importância da disciplina e o valor da unidade. Praticamos conceder o perdão a quem nos fere e a aceitá-los, a despeito dos seus erros. Fazendo assim, estamos partilhando com outros um exemplo vivo de como é Deus.
Como uma de nossas crenças fundamentais, a declaração sobre o casamento e a família ilustra diretamente muitas verdades a respeito de Deus. De uma ou de outra forma, para o bem ou para o mal, nossa concepção a respeito de Deus e nossas reações a Ele são afetadas pelo nosso casamento e experiências familiares.
 
O Testemunho da Família
Ao aceitar a doutrina a respeito do casamento e da família, a Igreja está afirmando que casamentos felizes e famílias estáveis são mais do que um ideal. São verdades que desejamos defender e apoiar. Transcendem em valor para os indivíduos e para a sociedade às simples relações familiares produtivas. Sem a experiência da família como fonte básica para a compreensão de muitas doutrinas sobre Deus, nossa relação com essas doutrinas não passaria do nível apenas racional.
O casamento e a família simbolizam o relacionamento de Deus conosco. Daqui se depreende que a Igreja tem a responsabilidade de ajudar as famílias a se tornarem adequados símbolos que bem representem a Deus. A Igreja tem que investir seus recursos para manter a integridade desse testemunho. Tempo, salários, dinheiro, educação, treinamento e comunicação, a respeito deste assunto são necessidades, não opções.
Freqüentemente a Igreja gasta mais tempo punindo famílias do que ajudando-as a se tornarem aquilo que se espera delas. É muito mais fácil decidir como punir falhas do que redirecionar as discórdias. Esse não é um problema da Igreja apenas. Todas as pessoas em posição de autoridade têm o mesmo desafio, incluindo pais, professores e legisladores. O fato de que punir é mais fácil não significa que é o melhor.
A Igreja não deve adotar o caminho mais fácil. Temos que lutar pelo que é eficaz. Devemos encarar a conservação da forma mais séria possível e prosseguir na boa obra que uma vez iniciamos.
O garotinho de cinco anos só não fugiu de casa porque era incapaz de carregar uma grande mala. Quando ele voltou para casa, para a família e os amigos, aprendeu o que é amar e ser amado, perdoar e receber perdão. Aprendeu também o significado da criação, da queda do homem, encarnação, graça, lealdade e segunda vinda de Cristo. Ele se tornou parte da família de Deus. Eu o conheço. É o meu pai.
 
Por Darold Bigger – Foi pastor do Colégio Walla Walla, nos Estados Unidos.

 

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