27- O Milênio e o Fim do Pecado

29-07-2012 01:15

 

O milênio é o reinado de mil anos, de Cristo com Seus santos, no Céu, entre a primeira e a segunda ressurreições. Durante esse tempo, serão julgados os ímpios mortos; a Terra estará completamente desolada, sem habitantes humanos com vida, mas ocupada por Satanás e seus anjos. No fim desse período, Cristo com Seus santos e a Cidade Santa descerão do Céu à Terra. Os ímpios mortos serão então ressuscitados e, com Satanás e seus anjos, cercarão a cidade; mas fogo de Deus os consumirá e purificará a Terra. O Universo ficará assim eternamente livre do pecado e dos pecadores. – Crenças Fundamentais, 26
 
Confuso? Realmente eu estava! A doutrina adventista do milênio me parecia muito estranha. Como poderia eu desistir de minha crença num reino terrestre com a duração de mil anos para aceitar a idéia de que o povo de Deus estaria no Céu durante o milênio de Apocalipse 20:1-7, e nenhum dos ímpios sobraria sobre a Terra depois da segunda vinda de Cristo, e a Terra estaria completamente desolada e conhecida como um abismo?
Acabei aceitando, entretanto, depois de dois ou três anos de reflexão perplexa e profunda. Naquele tempo, faz mais de 40 anos, eu fiquei completamente convencido de que o ensino adventista sobre o milênio é bíblico, pois os textos bíblicos utilizados para fundamentar essa doutrina são absolutamente claros.
Mas uma questão mais básica ainda me espetava: qual é o real significado bíblico do milênio? Na realidade, por que tem de haver um período milenário de algum tipo, entre a segunda vinda de Cristo e a descida da Nova Jerusalém? Apoc. 21:2. A pergunta pode ser feita sem rodeios: O que a doutrina do milênio significa para você e para mim individualmente?
Eu gostaria de dirigir sua atenção para dois aspectos apenas: (1) Por que a Terra tem que se transformar num abismo? (2) O que farão os santos de Cristo no Céu durante o milênio?
 
A Terra Transformada em Abismo
Quando estudei a doutrina do milênio pela primeira vez, aprendi que a palavra bíblica abismo podia ser entendida como sinônimo de deserto. Ela serve para caracterizar áreas desoladas ou até mesmo todo o globo terrestre em seu estado caótico próximo do início da história da Terra, quando ela ainda era descrita como “sem forma e vazia”. Gên. 1:2. Alguns anos depois, quando estudava a história e a cultura do antigo Oriente Médio, descobri as profundas implicações dessa terminologia.
No antigo Oriente Médio, cada “nação civilizada” considerava seu reino – a esfera abaixo da proteção de suas divindades – como o lugar no qual existia a ordem. Todas as demais regiões eram encaradas como se estivessem num estado caótico, ou seja, num “abismo”, semelhante às águas revoltas do mar durante uma tempestade ou às correntes de um rio durante uma grande enchente.
Portanto, que melhor termo poderia ser usado do que abismo para simbolizar os efeitos ruinosos do governo de Satanás como o “príncipe deste mundo”? Que expressão seria melhor para pintar o quadro de desolação da Terra no final do reino satânico? Na realidade, como Satanás é o autor do caos e pertence ao caos, nada mais correto do que lhe destinar a Terra transformada num abismo para que seja sua prisão durante o milênio.
Há um motivo teológico básico incluído nessa visão: à medida que prossegue o grande conflito e a atuação divina se dá em função da salvação, a atividade de Satanás e suas agências vai na direção de uma devastação cada vez maior. No final do milênio, entretanto, o divino toque de perfeição novamente afetará a Terra. Assim como aconteceu no princípio (Gên. 1), Ele mais uma vez colocará a Sua mão sobre o mundo “sem forma e vazio” e o transformará em uma belíssima Nova Terra, para sobre ela reinar a justiça, a paz e a felicidade eternas. Apoc. 21 e 22.
Dessa forma, o ensino adventista de que, durante o milênio, a Terra ficará desértica se encaixa perfeitamente com o que a Bíblia apresenta sobre o pecado e a redenção. Isso faz parte de uma grande e rica lição acerca da natureza e resultados da obra de Satanás em contraste com as ações divinas. Outras tentativas de explicar o milênio falham completamente nesse particular.
 
Os Santos no Céu
Durante esse período do milênio, o que farão os santos no Céu? A Bíblia diz muito pouco a esse respeito além do fato de que os santos “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”. Apoc. 20:4. Eu gostaria de elaborar um pouco mais sobre essa idéia. Meus comentários têm algo de especulação, mas confio que estão em total harmonia com a correta compreensão do caráter de Deus, conforme revelado na Bíblia, e com Seus métodos de lidar com os seres humanos.
A resposta mais comum que geralmente é oferecida à essa pergunta sobre o que farão os santos durante sua temporada celestial é que julgarão os anjos caídos e os seres humanos que não foram salvos, com base nos perfeitos registros divinos. Seguramente haverá muito mais o que fazer. Pense nas palavras de Paulo, em I Coríntios 6:2 e 3, de que os santos irão “julgar” tanto o “mundo” quanto os “anjos”. Mas seguramente a experiência celestial dos filhos de Deus será mais desafiadora e compensadora do que apenas examinar e conferir registros, durante dias, meses e séculos!
A expressão “viveram e reinaram com Cristo” (Apoc. 20:4) tem uma aplicação muito mais ampla do que apenas examinar registros! O importante sentido dessa frase começa a ficar claro quando nos lembramos de que já nesta vida os seguidores de Cristo vivem e reinam com Ele. Efés. 2:6.
A Igreja se constitui num “sacerdócio real” ou “reino sacerdotal”. I Ped. 2:9; Apoc. 1:6. Na época presente, isso proporciona uma experiência crescente que amplia nossos horizontes. É uma experiência de relacionamento tão próximo que inclui desafios criativos, realizações, recompensas e felicidade ao longo de toda a vida.
 
Um Período de Familiarização
Qual então será, exatamente, nossa experiência no Céu? Será que não teremos a oportunidade de crescer de acordo com o plano de Deus para Adão e Eva, antes do pecado?
E por que essa experiência não poderia começar imediatamente na Terra, após a segunda vinda de Cristo? A resposta mais simples é que a Terra estará devastada nessa ocasião. Há razões adicionais, entretanto. É possível que esse período, durante o milênio, funcione para os filhos de Deus como uma espécie de complementação ou poslúdio. Seria como um período de familiarização.
Faz alguns anos, um missionário que havia servido em diferentes nações sugeriu que o milênio no Céu seria o período ideal para que cristãos das mais diferentes culturas possam se familiarizar uns com os outros. Eles fariam isso enquanto, juntos, aprendem todos a cultura do Céu.
Isso não tem a ver com conversão. Ninguém que necessite de conversão estará no Céu durante o milênio. Entre os santos no Céu, não haverá brigas, inveja, intolerância e nenhuma manifestação de egoísmo de qualquer espécie. Quem, a essa altura, não tiver vencido através do sacrifício e do poder de Cristo simplesmente não estará lá!
Cristãos convertidos podem ainda crescer e aprender, entretanto. Imagine cristãos das mais diferentes culturas se encontrando e partilhando suas experiências. Por exemplo, como seria o primeiro encontro de Abraão com Martin Luther King? Ou como seria o primeiro contato de Policarpo (martirizado em 156 d.C.) com Tiago White?
Como será o seu ou o meu encontro com os patriarcas do Antigo Testamento, o profeta Daniel, os discípulos de Jesus, os primeiros mártires da era cristã – os salvos de todos os tempos e de todos os lugares? Será um privilégio partilhar experiências com eles e eles conosco, dentro do perfeito ambiente celestial, ao mesmo tempo que todos nós estaremos aprendendo diretamente do nosso Senhor e Salvador a própria “cultura” do Céu!
É claro que tudo o que estou imaginando até aqui tem suas limitações porque, como disse Paulo, estou como que “vendo em espelho, obscuramente”, mas de uma coisa tenho certeza: nossa experiência durante o milênio celestial será muito mais rica do que qualquer coisa que já tenhamos imaginado. Não haverá a menor chance para o tédio! Como estou ansiando por esse momento e acho que o mesmo acontece com você!
 
Por Kenneth Strand – Foi professor de História da Igreja na Universidade Andrews, Estados Unidos.
 
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"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26