3 - Deus Pai

29-07-2012 11:22

 

Deus, o Eterno Pai, é o Criador, o Originador, o Mantenedor e o Soberano de toda a criação. Ele é justo e santo, compassivo e clemente, tardio em irar-Se, e grande em constante amor e fidelidade. As qualidades e os poderes manifestos no Filho e no Espírito Santo também constituem revelações do Pai.
 
Se Deus é como meu pai, eu O odeio!
Em sua extraordinária paráfrase das histórias bíblicas, intitulada God Is for Real, Man, Carl F. Burke conta acerca das tentativas para convencer um garoto de que Deus é amor, comparando-O com um pai. E a reação do menino foi a frase acima. De fato, essa não é uma boa idéia quando a criança não tem bom conceito de seus pais, por ter sido abandonada ou maltratada.
Agora, o meu pai foi o famoso Tio Artur, o criador das histórias para o Nosso Amiguinho, e eu só tenho motivos para amá-lo e confiar nele. Quando pequeno, eu o acompanhava através das igrejas da Inglaterra. Primeiro, cantávamos e líamos a Bíblia, depois papai pregava sobre Deus e a Segunda Vinda de Cristo com tal fervor e convicção que não restava qualquer dúvida acerca da misericórdia e poder de Deus ou da necessidade de urgente preparo para a segunda vinda de Cristo.
Papai não passava de um ser humano, mas minha impressão era de que havia poucas coisas que ele não sabia fazer, com exceção de pegar uma raquete da forma correta. Ele até acabou escrevendo uma história para crianças sobre esse assunto! Mas, falando sério, em coisas como pregar, ou construir um barco, ou como se orientar numa grande cidade (papai chegou a escrever um livro cujo título era Descobrindo Londres), eu sempre fui socorrido por meu pai.
Eu admiro a maneira como ele tratava todos os tipos de pessoas, especialmente as crianças.
Também meu Pai celestial, apesar de muito mais poderoso que papai, deve ser tão terno, atencioso e confiável. Papai era um rijo disciplinador, mas jamais foi vingativo ou relutante para perdoar. Ele tinha um agudo senso de justiça, mas jamais tripudiava sobre minhas falhas em retribuir seu amor ou pelo menos ser obediente. Para mim a história do filho pródigo sempre teve o mesmo final feliz: Eu sabia que meus pais me acolheriam de volta ao lar não importando quão longe eu tivesse ido.
 
Idéias em Conflito
Sempre gostei de pensar em Deus como o nosso Pai. Mas, à medida que fui tomando contato com mais pessoas, pude constatar como são inúmeros os que têm uma idéia distorcida do caráter de Deus. Conheci cristãos devotos ensinando que se não agradarmos nosso Pai celeste, Ele nos irá torturar com chamas eternas.
Outros diziam que não, pois Deus é justo, mas não cruel. Ele sempre faz o melhor para nós e com amor. A justiça exige que Ele Se vingue de Seus inimigos, mas os torturará apenas e tão-somente na medida em que eles merecerem. (É claro que eles diziam isso procurando encontrar uma palavra mais suave que tortura, que dá a idéia de infligir deliberadamente uma dor insuportável.)
Por outro lado, apressavam-se em explicar que, de forma tão custosa, Deus preparara por nós uma via de escape dessa dolorosa destruição. E que Jesus está sempre ao lado de Deus para nos proteger e conseguir o perdão para nós.
Mas, que espécie de pai é esse capaz de destruir Seus filhos queimando-os lentamente? Seria Deus então menos amoroso que meu pai? E que tal Jesus, conhecido como o Filho de Deus? Seria Ele mais atencioso que o próprio Pai?
Meu primeiro passo foi descobrir as evidências. Seguindo um antigo conselho de Ellen G. White, comecei a ler a Bíblia como um todo – os 66 livros – perscrutando em cada história, argumento ou situação, que idéia isso me transmite a respeito de Deus?
Em diferentes ocasiões, outras pessoas têm se juntado a mim (desde uns poucos até várias centenas) nessa pesquisa de livro por livro das Escrituras. Mais de 120 vezes lemos do Gênesis ao Apocalipse. E em cada uma dessas viagens através da Bíblia a idéia de Deus como nosso Pai se torna mais e mais luminosa.
É transparente nas Escrituras que o maior desejo de Deus é amar e confiar em Seus filhos. Mas desgraçadamente o que tem acontecido é uma tremenda ruptura na família de Deus, desde que irrompeu a batalha celestial (Apoc. 12). Milhões de filhos de Deus têm se voltado contra Ele aceitando a idéia de que Deus é arbitrário, exigente, vingativo, implacável e severo.
Se fosse verdadeira essa idéia de Deus disseminada por Satanás realmente seríamos tolos se continuássemos encarando Deus como nosso Pai celestial.
 
Tão Amorável Quanto Jesus
Fico, a cada momento, mais maravilhado descobrindo as freqüentes e variadas maneiras que Deus usa para nos revelar a verdade acerca de Seu caráter. Com que infinito desvelo e graça tem Ele agido para nos encontrar onde estamos, e falar-nos numa linguagem compreensível, e ainda não nos pressionar mais do que podemos suportar! Fico boquiaberto com a benevolência divina, arriscando-Se a ser mais temido do que amado, e lançando mão de todos os expedientes possíveis para chamar nossa atenção e para manter abertos os canais de comunicação com Seus filhos.
Finalmente, no mais ousado ato possível, o Criador veio viver entre nós como ser humano. E a forma como Ele agiu com as pessoas, o que falou a respeito do Pai e principalmente a peculiar e terrível forma como morreu, se constituem na mais clara revelação da verdade a respeito de Deus que o Universo poderia ver ou necessitar.
Ou estaria Jesus revelando a verdade a respeito de Si próprio somente? Seria o Pai tão amorável, tão perdoador – até mesmo tão humilde – como foi o Filho? Filipe perguntou isso a Jesus.
“Sim – replicou Ele – ‘quem Me vê a Mim vê o Pai’. Quem crê em Mim, pode crer no Pai também.” (Ver João 12:44 e 45; 14:9.)
Filipe já deveria saber isso. O profeta evangélico já identificara, havia muito, o Filho como o “Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz”. Isa. 9:6.
Paciente mestre como era, Jesus não censurou o apóstolo por causa de sua ignorância da Escritura. Da mesma forma Ele age tolerantemente com Seus seguidores até que descubram quem esteve caminhando tão humildemente sobre a Terra. Como é nosso Pai celestial? É exatamente como Cristo; é Deus igualmente.
Apreciei deveras as palavras escolhidas pela Assembléia da Associação Geral de 1980, em Dallas, Texas, para expressar a terceira de nossas crenças fundamentais: “As qualidades e os poderes manifestados no Filho e no Espírito Santo também constituem revelações do Pai.”
Ellen White teria referendado esse voto, porque 85 anos antes escrevera:
“Tivesse Deus, o Pai, vindo ao mundo e habitado entre nós, humilhando-Se, velando Sua glória, a fim de que a humanidade O pudesse contemplar, não se haveria mudado a história que temos, da vida de Cristo. … Em cada ato de Jesus, em cada lição de Suas instruções, devemos ver, e ouvir e reconhecer a Deus. Na vista, no ouvido, no reconhecimento, são eles a voz e os movimentos do Pai.” – Para Conhecê-Lo (Meditações Matinais, 1965), pág. 338.
Isso significa que o Pai teria, da mesma forma lavado os poentos pés dos discípulos; ou igualmente perdoado a mulher adúltera, e ainda perdoado a Simão que a induzira ao pecado.
E mais ainda, da mesma forma que ninguém teve que insistir com Jesus para perdoar Seus algozes, quando crucificado, também ninguém terá que insistir com o Pai para perdoar Seus filhos errantes.
 
Amigos do Pai
O Pai, tanto quanto Jesus, deseja que os filhos sejam Seus amigos (João 15:15). E da mesma forma que Deus falou abertamente a Moisés, como alguém conversa com um amigo (Núm. 12:6-8; Êxo. 33:11), também Jesus, antes de Sua morte, falou claramente aos homens que Deus os queria considerar como amigos. A mais clara afirmação de Jesus a respeito do Pai, algumas vezes temos tido dificuldade para aceitar! “Estas coisas vos tenho dito por meio de figuras; vem a hora quando não vos falarei por meio de comparações, mas vos falarei claramente a respeito do Pai. Naquele dia, pedireis em Meu nome; e não vos digo que rogarei ao Pai por vós. Porque o próprio Pai vos ama, visto que Me tendes amado e tendes crido que Eu vim da parte de Deus.” João 16:25-27.
Jesus não estava afirmando a desnecessidade de Sua obra mediadora que é essencial para a vitória no conflito iniciado no Céu. Estava apenas explicando que cessaria de fazer algo por não ser mais necessário. E deu a razão por que.
A palavra-chave nessa declaração de Jesus é não. Entretanto, desde algum tempo, tenho ouvido a passagem citada publicamente sem a partícula negativa. Parece que alguém julgou que as palavras de Cristo eram boas demais para serem verdadeiras. Até já ouvi quem dissesse que se Cristo não insistir com o Pai não há esperança de sermos salvos.
Em O Grande Conflito, págs. 416 e 417, Ellen White demonstra ter compreendido o maravilhoso significado dessa passagem: “O amor do Pai, não menos que o do Filho, é o fundamento da salvação para a raça perdida. Disse Jesus aos discípulos, antes de Se retirar deles: ‘Não vos digo que Eu rogarei por vós ao Pai; pois o mesmo Pai vos ama.’João 16:26 e 27.”
Entretanto, em duas edições mais recentes [em inglês] desse grande livro, a importantíssima partícula não foi tirada do texto! Essas edições, de grande tiragem por sinal, que têm o objetivo de apresentar a verdade acerca de Deus a milhões de pessoas, citam a frase de Jesus como sendo: “Eu rogarei ao Pai por vós.” (Ver O Grande Conflito, págs. 416 e 417.)
Poderia dar diversos outros exemplos dessa tendência de excluir o não do texto. O fato é que isso constitui um equívoco. Em nenhum lugar, absolutamente, a Bíblia afirma que nosso amante Pai celestial precisa de insistência para que Se reconcilie com Seus filhos. Pelo contrário, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. II Cor. 5:19.
 
A Principal Verdade
Creio que a mais importante de todas as crenças adventistas do sétimo dia é a verdade a respeito de nosso Pai celestial. Deus não é como alguns O têm pintado: arbitrário, vingativo ou cruel. Apesar de infinito em majestade e poder, nosso Pai celeste é exatamente como Jesus O representou. Devemos aceitar o testemunho de Cristo de que vendo-O, estamos contemplando o Pai.
Creio que a especial missão da Igreja Adventista é falar menos de nós mesmos e mais acerca do Pai celeste. Oxalá as palavras de recomendação de Deus a respeito de Jó pudessem ser aplicadas à minha igreja: “Dissestes de Mim o que era reto.” Jó 42:7.
Um dia veremos o Pai face a face. Você aguarda esse dia com temor? Expectativa e reverência, sim; mas medo? Ou você teria menos temor de se encontrar com o Filho?
Até as criancinhas não tinham medo de Jesus. Elas “gostavam de brincar ao Seu redor, e de acariciar-Lhe o afável rosto com suas mãos inocentes”. – Fundamentos da Educação Cristã, pág. 68. “Elas gostavam de subir em Seu colo e beijar aquele rosto pensativo, cheio de amor.” – Testimonies, vol. 3, pág. 422.
Teriam os pequeninos a mesma intimidade com o Pai? Não tenho dúvidas diante da resposta de Jesus: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a Mim, porque dos tais é o reino dos Céus.” Mat. 19:14.
E por que Jesus pôde dizer tais palavras? Isto é importante! Porque Ele sabia que o Pai faria exatamente da mesma forma.
 
Por A. Graham Maxwell (Foi professor do Departamento de Religião da Universidade Loma Linda, Estados Unidos)
Voltar

Procurar no site

"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26