7. NÃO ADULTERARÁS

28-07-2012 22:23

 

QUANDO UM PASTOR TEM QUE DISCORRER sobre o sétimo mandamento, "Não adulterarás", precisa usar de muito tato e reverência para que suas palavras de reprovação não se tornem como o farol de Paros, que algumas vezes conduzia à destruição os barcos aos quais devia indicar o caminho da salvação. 
Este pecado deve ser discutido o mínimo possível, mas, já que Deus lhe confere certo grau de seriedade ao colocá-lo junto de "Não matarás", e uma grande parte de nossa sociedade tende a considerar o adultério apenas como uma inofensiva falha moral e não uma violação da lei de Deus, precisamos estar sempre lembrados de que Deus realmente disse. "Não adulterarás." 
Certo professor de teologia disse à sua classe o seguinte: "Cerca de 50% da miséria humana é causada pela desobediência a este mandamento." Esta afirmação parece um pouco exagerada – 50%. Os alunos não a aceitaram, mas um deles, Morris Wee, depois de alguns anos de ministério, disse que descobrira que seu mestre tinha razão. 
Passe algumas horas no gabinete pastoral de uma igreja central de uma cidade grande. Ouça as palestras telefônicas, leia a correspondência, converse com aqueles que procuram pessoalmente o pastor. Você também se convencerá de que a declaração daquele professor estava correta. 
Desejo propor aqui três questões as quais tentarei também responder. O que é adultério? Por que é errado? O que devem fazer as pessoas que violaram este mandamento? 
O adultério é a violação do voto de fidelidade conjugal. Qualquer atividade sexual extraconjugal é adultério. Jesus vai um pouco além e diz que abrigar a lascívia no coração, mesmo que ela não frutifique num ato, eqüivale a cometer adultério (Mat. 5:27, 28). Sei que algumas vezes um pensamento penetra na mente sem que o possamos impedir, mas transformar este pensamento em luxúria significa conservá-lo na mente, deleitar-nos secretamente, incorporá-lo à nossa vida. 
É errado porque Deus assim o declarou. E o Senhor assim o fez porque é um ato que afeta outros. Qualquer um que tenha um pouco de consciência terá sentimento de culpa, se violar esta lei. 
Sei de pessoas que cometeram furtos e os justificaram ao ponto de se convencerem de que não tinham feito nada errado. Pode até haver alguém que cometa um homicídio e se sinta, até cerro ponto, justificado. Entretanto, nunca encontrei ninguém que desobedeça este mandamento e o justifique. Aquele que quebra este mandamento fica com a consciência marcada. A reação de todos os homens que transgridem esta lei é a mesma de Davi: "Meu pecado está sempre diante de mim." (Sal. 5l:3.) 
O adultério é um erro, porque resulta em muitos erros. Uma ferida mental é como uma ferida do corpo. Quando cortamos um dedo, não sentimos logo uma dor muito forte, mas se o corte se infecciona, e o germe entra na corrente sangüínea e circula pelo organismo, poderá ocasionar a morte. 
O arrependimento é um ferimento espiritual. É um corte profundo terrivelmente doloroso, mas é uma ferida limpa, e, a não ser que seja invadida pela amargura, ressentimento ou autopiedade, ela cicatrizará. Quando cometemos um erro qualquer, o resultado é uma ferida infecta que não se cicatriza. Ela nos rouba a paz de espírito, incomoda a consciência, causa distorção da mente, arma um conflito interior, enfraquece nossa força de vontade e destrói a alma. 
Phillips Brooks disse: "Mantenhamo-nos livres de dissimulações e até mesmo da necessidade de dissimular. É horrível quando se tem que encobrir alguma coisa. Quando temos que evitar olhares, quando para nós existem assuntos que não podem ser mencionados, então nossa alegria de viver foi perdida." 
O adultério é um mal, principalmente porque ele destrói o casamento. 
Estou-me lembrando de uma bela cena da peça "Mrs. Minniver". O casal em foco havia adquirido recentemente um carro novo, e a esposa comprara um chapéu novo. À noite, quando eles vão-se deitar, nenhum dos dois está com sono, pois se acham embalados na própria felicidade. A Sra. Minniver diz: "Querido, somos as pessoas mais felizes do mundo." E o marido lhe pergunta: "Por que? Só porque temos um carro novo e um chapéu novo?" "Não, querido, é porque temos um ao outro."  
Não é preciso muita coisa para se ter felicidade no casamento. O dinheiro, os bens que o dinheiro nos proporciona são válidos, mas podemos perfeitamente passar sem eles. 
Existem dois elementos essenciais que devem estar presentes no casamento. O primeiro é uma afeição profunda, um grande amor um pelo outro, um sentimento bem diferente do que dedicamos a qualquer outra pessoa. O segundo elemento é uma confiança absoluta. O adultério destrói ambos. 
Os índios iroqueses dos Estados Unidos tinham um costume muito interessante, para a celebração de um casamento. Durante a cerimônia nupcial, os noivos ficavam um frente ao outro, nas duas margens de um regato, e ali uniam as mãos por sobre a corrente das águas. Isto significava que a vida deles deveria fluir sempre unida. 
Supondo-se que sabemos de alguém que cometeu adultério, como é que devemos agir? 
Vamos ao Evangelho de João, capítulo 8, e vejamos como Jesus agiu para com uma mulher adúltera levada perante Ele. Não havia outra coisa a fazer senão apedrejá-la, mas os homens decidiram pedir a opinião de Jesus. A solução que Ele teria para aquele ou qualquer outro erro nunca seria o apedrejamento. Ele odiava o pecado mas nunca deixava de amar o pecador. 
O Sr. Sam Tate contou que havia numa cidade da Geórgia, um bêbado que era conhecido de todo o povoado. Certo dia, encontrando-se com o Sr. Tate pela manhã, o homem lhe disse: "Sam, os moleques me atiraram pedras ontem à noite." "Talvez eles estejam querendo melhorá-lo", replicou o Sr. Tate. "Bem", retrucou o pobre homem, "nunca ouvi dizer que Jesus atirasse pedras numa pessoa para melhorá-la." 
Jesus encontrava-se no meio do grupo, tendo diante de si a mulher culpada. Então ele se inclinou e começou a rabiscar no chão. (Que será que ele escreveu?) Depois, em voz calma, mas audível, falou: "Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra." E novamente se inclinou e recomeçou a escrever na areia. Ele conhecia muito bem aquele tipo de pessoa presunçosa que estava sempre pronta a acabar de afundar os outros. Eu creio que ele deve ter escrito palavras tais como: mentiroso, ladrão, hipócrita, etc. Então, um a um, aqueles homens, antes tão empenhados em condenar a mulher, deixaram cair as pedras, e, envergonhados, se esgueiraram dali. 
Segue-se então uma das mais grandiosas cenas da Bíblia. O imaculado Salvador está frente a frente com a mulher, sozinhos Nem uma palavra dura parte de seus lábios: Não lhe dirige nem mesmo um olhar de censura. Ele simplesmente diz, com ternura e amor: "Nem eu te condeno; vai e não peques mais." 
Parece-me ver aquela cena mentalmente. A mulher se levanta, colocando-se de pé. Ergue a cabeça, ombros aprumados, porquanto o peso de sua alma já foi retirado. Sente-se envolvida por um novo sentimento de autoconfiança, e pela alegria de receber nova oportunidade. 
Diz-nos a tradição que foi ela quem se postou aos pés da cruz, ao lado de Maria, a virgem-mãe, e que ela foi a primeira pessoa a receber a notícia da ressurreição do Senhor e a gloriosa incumbência de contá-la a outros. 
Quando Deus anunciou o nascimento de Cristo, enviou anjos do Céu. Foi um privilégio negado ao homem. Mas para falar de Sua ressurreição, foi o homem mortal o escolhido. 
Qualquer que seja meu pecado, Cristo, e somente Cristo, pode retirar minha culpa e dar-me vida eterna.
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"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26