8. NÃO FURTARÁS

28-07-2012 22:19

 

O OITAVO MANDAMENTO DIVINO para a vida "Não furtarás", é o alicerce de nosso sistema econômico, pois reconhece o direito de cada um – um direito dado por Deus – de trabalhar, ganhar e possuir. Tirar de alguém um valor que é seu por direito é contrário aos padrões de Deus. Pela história da criação, sabemos que Deus fez o céu e a Terra, o mar e tudo que eles contêm. Depois, ele criou o homem e deu-lhe domínio sobre tudo (Gên. l:26). Na realidade, ninguém possui nada. Tudo pertence a Deus, mas, enquanto o homem estiver na Terra, ele tem o direito de posse. Negar este direito a qualquer pessoa implica numa violação dos próprios fundamentos da criação. 
Desde os primórdios da civilização, a humanidade tem experimentado diversos sistemas econômicos, mas só existe um que realmente dará certo: a livre empresa levada a efeito por homens tementes a Deus. Alguém já disse que os primeiros cristãos tentaram organizar uma forma de propriedade coletiva, mas temos que lembrar que a experiência fracassou, e eles a abandonaram. Paulo escreveria mais tarde: "Se alguém não quer trabalhar, também não coma." (II Tess. 3:10.)  
Jesus narrou certa vez a história de um homem que viajava de Jerusalém para Jericó. Foi atacado por salteadores que lhe roubaram tudo e o feriram, deixando-o à beira da estrada. Por ali transitaram um sacerdote e um levita que apenas o olharam e passaram de largo. Veio um samaritano, porém, e socorreu o homem, e financiou seu tratamento, enquanto ele não pudesse fazê-lo por si mesmo (Luc. 10:30, 37). 
Nesta simples história, estão claramente demonstrados três modos de se encarar os bens. Esta interpretação não é minha. 
 
1) Primeiro: O pensamento dos ladrões: "O que pertence ao meu próximo, pertence a mim, e vou tomá-lo." Retrata o roubo agressivo, efetuado pelo ladrão, pelo estelionatário e outros do mesmo tipo. Nesta categoria encontram-se também as pessoas que vivem acima de suas posses. Contrair uma dívida sem ter possibilidade de pagá-la devidamente, eqüivale a roubar. 
A negligência e o desperdício de tempo no trabalho também são roubos. 
Certa vez, uma jovem doméstica se apresentou a uma igreja solicitando a inclusão de seu nome no rol de membros, mas não sabia dar evidências de sua conversão, e estava para ser dispensada. Por fim, o pastor lhe perguntou: "Será que não há evidência alguma que indique uma mudança de coração?" Ao que ela respondeu: "Há sim; agora eu não varro mais o lixo para debaixo do tapete." "Isto basta", disse ele, "vamos recebê-la na comunhão desta igreja." 
Outra coisa que pode ser roubada, é nossa riqueza interior. O homem não vive só de pão. 
Quando o escritor americano Mark Twain se casou com Olívia Langdon, esta era uma boa crente. Mas ele era tão avesso à fé, que aos poucos ela abandonou sua devoção religiosa. Mais tarde, quando ela teve que enfrentar uma grande tristeza, o marido lhe disse: "Livy, busque consolo em sua fé." Ao que ela respondeu: "Não posso. Não tenho mais fé." E até o dia de sua morte, aquele homem foi perturbado pelo desgosto de ter roubado a ela algo que lhe era tão precioso. 
Shakespeare indicou a pior forma de roubo, quando disse: "Aquele que rouba meu bom nome, tira-me algo que não o enriquecerá e que realmente me empobrece." 
Antes de passarmos adiante qualquer comentário a respeito de outrem, é bom nos fazermos três perguntas: Isto é verdade? Precisamos realmente contar? Estaremos agindo bem ao fazê-lo? 
Portanto, há vários tipos de roubo agressivo. 
 
2) Segundo, estamos roubando não apenas quando tomamos alguma coisa de outrem, mas também quando retemos o que deveríamos dar ao próximo. O pensamento básico do sacerdote e do levita mencionados na história do bom samaritano é: "O que me pertence é meu, e eu o conservarei comigo." 
Algumas pessoas avaliam seu sucesso pela quantidade de bens que conseguem adquirir e preservar. Nesta vida, eu tenho visto muito "homem-caixão". Em sua existência só cabe ele e mais ninguém. 
Jesus falou a respeito de um homem assim. Ele prosperou bastante e acumulou mais riquezas do que precisava. Que fez então? "Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores", decidiu ele. "E vou guardar neles minhas colheitas e meus bens." 
Economizar é uma virtude mas uma virtude um tanto perigosa. Cada moeda que ganhamos traz consigo um dever correspondente. Este homem estava tão dominado pela ambição que não enxergou sua oportunidade e deveres. E por causa disso ele perdeu a alma. (Luc. 12:l6-21) 
O profeta Malaquias levantou uma questão muito importante: "Roubará o homem a Deus?" E ele mesmo responde dizendo que nós O roubamos "em dízimos e ofertas" (Mal. 3:8). Há uma lei de Deus, muito clara, que determina que devolvamos a Deus 10% de tudo que Ele nos permite possuir. 
É uma temeridade apresentarmo-nos diante dEle para julgamento depois de haver guardado ou usado em nosso benefício algo que era dEle. 
 
3) Terceiro – o Bom Samaritano viu a necessidade de seu irmão, e seu pensamento foi: "O que me pertence, pertence a outros, e vou dar a quem precisar." Não podemos nos esquecer de que o direito da empresa privada e da possessão de bens não foi conquistado por nós. Antes, é um privilégio dado por Deus. Com isso, o Senhor demonstrou Sua confiança em nós. Mas Ele também exige uma prestação de contas. Nossas habilidades, talentos, oportunidades e recursos naturais não são realmente nossos. São investimentos de Deus em nós. 
E como qualquer investidor, Ele aguarda seus dividendos. Suponhamos que eu deposite certa quantia em dinheiro numa companhia de investimentos e os dirigentes da mesma utilizem todo o lucro em seus próprios interesses. Isto seria um roubo. Da mesma forma, Deus pode ser defraudado por nós. 
Como é que podemos dar a Deus uma coisa que, por direito, já lhe pertence? Só há um modo: dando-a em serviço para outros. Então o verdadeiro significado de "Não furtarás" é a consagração total tanto de nossos recursos materiais, quanto de nossa vida a Ele. 
O dramaturgo George Bernard Shaw disse certa vez: "Um homem nobre é aquele que dá à vida mais do que recebe dela." 
Certa vez, Jesus foi à casa de um homem chamado Zaqueu: Minutos depois de haver entrado ali, Zaqueu declarou: "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma cousa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais." Após o que Jesus lhe disse: "Hoje houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão." O roubo exige restituição. 
Ninguém pode ter Cristo ao mesmo tempo que aufere lucros desonestos. Tem que haver uma opção por um dos dois. Na maioria das vezes, esta decisão é muito difícil de ser tomada. Uma coisa que pode nos ajudar muito nesta escolha é aquele verso das Escrituras que diz: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mar. 8:36.)
 
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"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26