O CONTROVERTIDO DOM DE LÍNGUAS

10-08-2012 11:51

 

O objetivo deste artigo é estudar o controvertido tema sobre o dom de línguas; tendo como finalidade principal traçar uma linha divisória entre o verdadeiro e o falso dom de línguas, porque sabemos muito bem que para todo movimento genuíno e inspirado por Deus, Satanás apresenta uma contrafação. 

Através da história da Igreja nenhum dom espiritual tem ocasionado tanta controvérsia como o dom de línguas, ele precisa ser bem conhecido por nós. Em nossos dias o moderno movimento de línguas tem despertado grande interesse no mundo religioso. Basta citar que apenas nos Estados Unidos, as estatísticas nos cientificam de que 2.000 pastores das igrejas filiadas ao Conselho Nacional das Igrejas falam em línguas. De outro lado, calculam os estudiosos, que também nos Estados Unidos, o número de católicos que falam línguas atinge 100.000. 

O escritor Robert G. Gromacki, autor do livro Movimento Moderno de Línguas fez a seguinte declaração: 

"Os dons carismáticos estão se agigantando não somente entre professos pentecostais, mas também entre religiões tidas como ortodoxas e muito mais rígidas quanto a maneira de pensar. Hoje em dia, protestantes, católicos e espíritas estão em comum acordo, que para solucionar os grandes problemas existentes nas igrejas concernentes ao relacionamento de irmão para irmão, a solução é uma só: apoderar-se de dons extraordinários como cura, profecia, e falar em línguas. Isto vai ser o cimento que vai unir mais e mais os crentes em geral.'' 

João F. Soren, assim define: 

"O dom de línguas é um milagre divino em que, no exercício da vontade e sabedoria divinas, o Espírito Santo concede a alguns crentes o poder de falarem em idiomas que não aprenderam pelos processos naturais, e isto para o fim de testemunharem eles de Jesus Cristo perante os que não creem." 

Elemer Hasse o define com bastante precisão: 

"Dom de línguas é a divina capacitação de se poder exprimir numa língua estrangeira." 

Em outras palavras: Dom de línguas é a possibilidade que o Espírito Santo concede ao crente para falar um idioma totalmente desconhecido para ele. 

Os comentaristas de um modo geral afirmam: Esse dom consistia de poderes milagrosos conferidos aos apóstolos para pregar o Evangelho a todas as nações nas suas respectivas línguas. 

É bom saber que este dom não é necessário para a salvação da pessoa, mas uma concessão dada por Deus para levar a salvação a outros. 

O Interpreter's Dictionary of the Bible, vol. 4, pág. 671 declara que o “falar línguas” foi um notável fenômeno do cristianismo primitivo, mas logo a seguir acrescenta que este fenômeno não estava circunscrito ao cristianismo, desde que era encontrado em muitas das religiões do mundo antigo. 

No livro A Doutrina do Espírito Santo, pág. 51, João F. Soren afirma: "O fenômeno glossolálico (falar línguas) é universal no sentido que aparece nas mais variadas circunstâncias, tempos e lugares. Encontramo-lo em o Velho Testamento. Descobrimo-lo nas religiões pagãs e étnicas. Reponta em seitas neo pagãs e em diversos ramos e grupos do cristianismo primitivo, medieval e hodierno. Constatamo-lo ainda em manifestações psicopáticas e psiconeuróticas, sem qualquer influência religiosa."  

Se os dons são concedidos por Deus para edificação da igreja (I Cor. 14:12, 26), ele pode conceder o privilégio de falar línguas para testificar a seu favor, desde que isto se torne necessário.

O Batismo com o Espírito Santo e o Falar Línguas

A Bíblia indica que toda a pessoa batizada com o Espírito Santo falaria línguas? Os pentecostais declaram de maneira enfática que os cristãos que recebem o Espírito Santo precisam falar línguas. 

Eis suas declarações: 

"Um cristão que não foi batizado com o Espírito Santo, tendo como prova disso o falar em línguas, é um fracalhão espiritual, comparado com aquilo que poderia ser caso fosse batizado com o Espírito Santo, de acordo com Atos 2:4." 

É de costume entre as igrejas pentecostais, que o batismo no Espírito Santo sempre vem acompanhado das línguas. 

A Constituição das Assembleias de Deus afirmam: 

"O batismo no Espírito Santo é testemunhado pelo sinal físico inicial do falar em outras línguas, segundo o Espírito de Deus lhes concede." 

Esta afirmação seria defensável pela Bíblia? De modo nenhum, pois uma pesquisa bíblica nos informa que de dezoito notáveis relatos do batismo com o Espírito Santo, catorze não apresentam nenhuma referência a línguas. 

Na Igreja Apostólica há muitas evidências da manifestação do Espírito Santo na vida e na obra dos crentes sem o aparecimento do dom de 1ínguas. 

Os seguintes exemplos são concludentes: 

1º) Os sete diáconos foram homens cheios do Espírito Santo, mas não há nenhuma menção de que tivessem falado línguas. 

2º) Os samaritanos ao crerem na Palavra de Deus receberam o Espírito Santo, porém, não foram agraciados com o dom de línguas. 

O pastor luterano Larry Christenson estudando os relatos sobre o batismo, no livro de Atos, pergunta: 

"Significará isso que todo aquele que recebe o Espírito Santo fala em línguas – e que se alguém não falou em línguas não recebeu realmente o Espírito Santo?" Sua resposta é: "Não creio que se possa tirar essa conclusão fixa das Escrituras." – Revista Trinity, vol. III. Nº l).

 

Que Significa ser Batizado com o Espírito Santo?

O Espírito Santo é descrito como vindo aos crentes antes do batismo (Atos 10:44-48), seguindo-se ao batismo (Atos19:5, 6) e algum tempo indeterminado após o batismo (Atos 8:12-17). 

Se a palavra batismo significa "imergir", o batismo pelo Espírito Santo indica que somos imersos pelo Espírito Santo em Cristo. Esta ideia é confirmada pela descrição paulina de Tito 3:5-7. Ela é mais evidente na linguagem do Novo Testamento Vivo – "Então Ele nos salvou – não porque fôssemos suficientemente bons para sermos salvos, mas por causa da sua bondade e compaixão – quando lavou os nossos pecados e nos deu a nova alegria de sermos a morada do Espírito Santo. Que Ele derramou sobre nós com maravilhosa abundância – e tudo por causa daquilo que Jesus Cristo nosso Salvador fez, a fim de que Ele nos pudesse declarar justos aos olhos de Deus."

Requisitos para Receber o Espírito Santo

A Bíblia nos apresenta quatro requisitos essenciais para o recebimento do Espírito Santo: 

1º) Fé.  "E todos nós, como cristãos, podemos ter o Espírito Santo prometido por meio desta fé." Gálatas 3:14. 

2º) Arrependimento.  "Cada um de vocês deve abandonar o pecado, voltar-se para Deus e ser batizado no nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados: então vocês também receberão o Espírito Santo, que será dado a vocês." Atos 2:38. 

3º) Obediência.  "Nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem." Atos 5:32. 

Se obedecer a Deus é guardar seus mandamentos, conclui-se que quem vive em consciente violação de qualquer um dos Dez Mandamentos não poderá esperar receber o Espírito Santo. 

4º) Oração. "E se gente pecadora como vocês dá aos filhos o que eles precisam, não percebem que o Pai celeste fará pelo menos tanto assim, e dará o Espírito Santo àqueles que O pedirem?" Luc. 11:13. 

O Dom de Línguas no Novo Testamento

Há cinco passagens do Novo Testamento mencionado o dom de línguas. Uma em Marcos, três em Atos e uma em I Coríntios. 

I. Marcos 16:17 – "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas." 

Este dom é mencionado por Cristo em forma de uma promessa, que lhes possibilitava pregar o evangelho na linguagem daqueles que iam ouvir as boas novas de salvação. 

O adjetivo "novas" não quer dizer línguas inexistentes, como defendem alguns, mas línguas estrangeiras que eles falariam sem as terem aprendido. 

É interessante saber que há em grego duas palavras para novo – néos e kainós.  Néos é novo no sentido de tempo, recente e kainós é novo na forma ou qualidade. Cristo aqui usou kainós porque se referia ao novo não usado. [Ver Novo em Grego e Novo em Português, p. 286] 

Roberto Gromacki no livro já anteriormente citado, página 72 afirma: "Se o falar línguas tivesse envolvido línguas desconhecidas nunca antes faladas, então Cristo teria usado néos (novo em referência ao tempo). Mas, visto que ele empregou kainós, tem que se referir a línguas estrangeiras, que eram novas àquele que as falasse, porém, que já existiam antes". 

Eram idiomas novos para aqueles que os falariam. A denominação de novas indicava o contraste com as línguas por eles faladas. 

É Autêntica a Terminação de Marcos?

A Crítica Textual muito tem discutido sobre a autenticidade da conclusão do evangelho de Marcos (16:9-20). Os dois melhores e mais antigos manuscritos completos da Bíblia, o Sinaítico e o Vaticano, não a contêm. Nenhum manuscrito grego do quinto século tem os versos 9 a 20 do cap. 16. Embora os manuscritos posteriores tragam estes verses, temos que concordar com as declarações do Dr. A. T. Robertson, grande erudito grego e autor de uma das melhores gramáticas para o Novo Testamento: "Assim, os fatos são mui complicados, porém eles argumentam fortemente contra a genuinidade dos vs. 9 a 20 de Marcos 16." – Word Pictures in the New Testament, pág. 402. 

Nota: Veja neste Livro o ponto: A Discutível Terminação do Evangelho de Marcos. 

O Desejado de Todas as Nações, pág. 821 declara o seguinte: 

"Um novo dom foi então prometido. Deviam pregar entre outras nações e recebiam poder de falar em outras línguas, Os apóstolos e seus cooperadores eram homens iletrados, todavia mediante o derramamento do Espírito, no dia de Pentecostes, sua linguagem, fosse no próprio idioma, ou no estrangeiro, tornou-se pura, simples e correta, tanto nas palavras como na pronúncia."

II. Atos 2:1-13 

Este relato circunstanciado do dia de Pentecostes (transliteração da palavra grega pentekostes – cinquenta, quinquagésimo dia após a ressurreição de Cristo) é o mais significativo de toda a Bíblia, onde nos informa que os apóstolos foram milagrosamente capacitados para falarem em várias línguas a fim de que os presentes os ouvissem falar em seus respectivos idiomas. 

O falar línguas de Atos 2 era um sinal de que o dom do Espírito Santo tinha sido dado aos apóstolos por Cristo, conforme sua promessa. 

De maneira nenhuma pode-se defender que estas línguas eram celestiais, extáticas, desconhecidas, ininteligíveis, espirituais. Por que? Porque esta ideia não está contida na Bíblia. O relato divino é este: "Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?" Lucas apresenta a seguir a relação de dezesseis regiões linguísticas, cujos habitantes ouviam os apóstolos falarem nas línguas de sua procedência. 

O milagre de Pentecostes consistiu no seguinte: Deus concedeu aos discípulos a faculdade de falarem nas línguas maternas representadas pelas diversas nacionalidades mencionadas em Atos 2:9-10. Este milagre era uma evidência de que o Espírito Santo viera, e um sinal para os judeus de que Jesus era verdadeiramente o Messias e ainda de que a mensagem apostólica era verdadeira. 

O livro Atos dos Apóstolos, págs. 39 e 40 confirma as afirmações feitas: 

"O Espírito Santo, assumindo a forma de línguas de fogo, repousou sobre a assembleia. Isto era um emblema do dom então outorgado aos discípulos, o qual os capacitava a falar com fluência línguas com as quais não tinham nunca entrado em contato. . . . Esta diversidade de línguas teria sido um grande embaraço à proclamação do evangelho; Deus, portanto, de maneira miraculosa, supriu a deficiência dos apóstolos. O Espírito Santo fez por eles o que não teriam podido fazer por si mesmos em toda uma existência. Agora podiam proclamar as verdades do evangelho em toda a parte, falando cem perfeição a língua daqueles por quem trabalhavam. Este miraculoso dom era para o mundo uma forte evidência de que o trabalho deles levava um sinal do céu." 

Quase todos os comentaristas, através dos séculos concordam que os discípulos, nesta ocasião, falaram as línguas das nações representadas em Jerusalém. Alguns estudiosos declaram firmemente, que este milagre de pregar numa língua, que a pessoa antes não conhecia, nunca mais se repetiu na História da Igreja. Gromacki faz isto claro em Movimento Moderno de Línguas, primeiro capítulo. 

III. Atos 10:46

"Pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus." 

Temos aqui o relato do episódio acontecido, em Cesaréia, na casa de Cornélio. Do relato de Lucas se conclui que as línguas aqui mencionadas não eram ininteligíveis, pois Pedro e os companheiros "os ouviam engrandecendo a Deus". 

A diferença entre este relato e o de Atos 2 parece ser a seguinte: No Pentecostes o falar em línguas foi o meio usado por Deus para anunciar o evangelho aos judeus que vieram a Jerusalém. Na casa de Cornélio o falar línguas foi um "sinal" para que os circunstantes cressem que Deus não faz acepção de pessoas. Atos 10 :34-35; 11:17. 

IV. Atos 19:1-6 

Alguns varões de Éfeso, sobre os quais Paulo impusera as mãos "falavam línguas e profetizavam". 

Pelo fato da discrição não entrar em pormenores, faltam-nos elementos para conclusões mais definidas. 

E. G. White nos informa que estes homens "receberam também o batismo do Espírito Santo, que os capacitou a falar as línguas de outras nações e a profetizar." – Atos dos Apóstolos, pág. 283. 

V. I Coríntios 12 a 14 

Nestes capítulos não há o relato descritivo do dom de línguas. O pastor batista João F. Soren, no artigo "O Dom de Línguas à Luz do Novo Testamento" declara enfaticamente: "Não há evidência segura de que tenha havido em Corinto, à luz da exposição do Apóstolo Paulo em 1 Cor. 12, 14, a manifestação do dom carismático de línguas, ou seja a capacitação concedida pelo Espírito Santo para que os crentes ali falassem idiomas que nunca estudaram ou aprenderam normalmente, à maneira do que se verificou no dia de Pentecostes. . . 

"Os coríntios competiam em torneios poliglóticos na igreja, falando publicamente em idiomas estrangeiros ou então tartamudeando em êxtase nervosa, para impressionar os ouvintes. Não tinham eles o dom carismático de línguas. Isso era algo muito diferente do que ocorrera no Pentecostes. Ao invés de darem um sinal convincente do poder do evangelho para a salvação de todo aquele que crê, o sinal que davam eles para os incrédulos era outro. A confusão, a balbúrdia era tal que, para os incrédulos, a casa de Deus mais dava a impressão de ser uma casa de dementes. I Cor. 14:23." 

J. Reis Pereira, em artigo colocado no livro A Doutrina do Espírito Santo, pág. 77 nos esclarece: 

"As línguas de I Coríntios eram sons ininteligíveis. Davam a aparência de uma língua, mas ninguém poderia compreendê-la. Para interpretá-la seria necessário um outro dom, o dom de interpretação. Tais são as línguas faladas em assembleias pentecostais de nossos dias, o dom que prova o batismo no Espírito Santo, segundo os pentecostais. Tais são as línguas faladas em igrejas de outras denominações, até mesmo batistas, em nossos dias, ao que nos informam. . . 

"Línguas ininteligíveis, extra-humanas, sons incompreensíveis, necessitando de um intérprete tais seriam as línguas da Igreja de Corinto, segundo a interpretação que estamos considerando." 

Estudiosos competentes das Escrituras têm chegado à seguinte conclusão: 

O falar línguas na Igreja de Corinto era um afastamento ou abuso do dom recebido pelos 120 cristãos no Pentecostes. 

Pelo relato de Paulo sabemos que algumas poucas palavras compreensivas tinham muito mais valor do que centenas em uma língua desconhecida. "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida." (I Cor. 14:18 e 19). Em outros escritos paulinos, referentes aos dons do Espírito, não há nenhuma referência ao tão decantado dom de línguas. Ver Romanos 12 e Efésios 4. 

Em Nota Adicional sobre I Cor. 14 o SDA Bible Commentary declara entre outras coisas o seguinte: 

"Que a língua falada sob a influência do dom em Atos 2 era uma língua estrangeira, que poderia ser facilmente compreendida por um estrangeiro daquela língua. 

"A manifestação de I Coríntios era diferente daquela do dia de Pentecostes, porque a língua não era uma língua falada por homens, e por este motivo nenhum homem poderia entendê-la, a menos que estivesse presente um intérprete, que possuísse o dom do Espírito para compreender a língua. (I Cor. 12:10). 

"Após enumerar uma lista de características que devem ser notadas na descrição paulina de I Cor. 14, acrescenta: 

"Esta lista de características do dom torna claro que o apóstolo não está tratando de um dom falsificado. Ele enumerou "línguas" entre os genuínos dons do Espírito (cap. 12:8-10), e em nenhuma parte sugere que a manifestação descrita no cap. 14 não é de Deus. Pelo contrário, louva-a (cap. 14: 4, 17), alega que ele falava em línguas mais do que os Coríntios (v. 18), desejava que todos possuíssem o dom, e recomenda os crentes a não proibirem o seu exercício (v. 39). Seu objetivo através da discussão é mostrar o seu devido lugar e função e advertir contra o seu abuso."

"Seja qual for a opinião adotada, uma coisa é certa, que a manifestação do dom no Pentecostes e os propósitos para os quais ele foi dado (Atos 2) diferiam em muitos aspectos do dom manifestado em Corinto. O dom em Corinto servia para edificar o orador, não os outros (I Cor. 14:4). Paulo não encorajou seu uso em público a não ser que um intérprete estivesse presente (versos 19, 28)." 

"Por causa de certas obscuridades em relação à maneira precisa pela qual o dom se manifestou antigamente, Satanás tem achado fácil falsificar o dom. Exclamações incoerentes eram bem conhecidas e largamente encontradas dentro do culto pagão. Também em tempos posteriores, sob o disfarce de cristianismo, várias manifestações das chamadas línguas têm aparecido de tempos em tempos. Contudo, quando estas manifestações são comparadas com especificações escriturísticas do dom de línguas, elas são achadas ser algo muito em desacordo com o dom antigamente comunicado pelo Espírito. Essas manifestações portanto devem ser rejeitadas como espúrias. Entretanto, a presença do dom falsificado não nos deve levar a tratar levianamente o dom genuíno. A manifestação correta do dom a que Paulo se refere em I Cor. 14 realizou uma função proveitosa. É verdade que dela abusaram, mas Paulo tentou corrigir os abusos e indicar a operação do dom em seu devido lugar e função." 

O principal desacordo com os pentecostais começou quando os líderes religiosos concluíram que o falar em línguas, os gritos de júbilo, as lágrimas, o rolar pelo chão não passa de um emocionalismo que destrói a verdadeira adoração.

Origem do Pentecostalismo Moderno

John L. Sherrill no livro Eles Falam em Outras Línguas, pág. 53, afirma que o falar línguas nos tempos modernos surgiu nos Estados Unidos com o jovem ministro metodista chamado Chales F. Parham. Na véspera do ano novo de 1900 ele colocou as mãos sobre a cabeça da senhorita Ozman, e orando, dos lábios da moça saíam sílabas em voz baixa, que nenhum deles podia entender. Os pentecostais consideram essa data como muito importante na sua história, desde que para eles foi a primeira vez, desde os dias da igreja primitiva, que alguém falou em línguas.

Diferenças Entre o Dom de Atos 2 e o Falar Línguas dos Pentecostais Modernos

Já vimos que as línguas de Atos 2 foram de natureza sobrenatural, isto é, os apóstolos pelo poder do Espírito Santo falaram línguas estrangeiras que não haviam aprendido antes. 

Se o movimento pentecostal ou neopentecostal é uma volta ao padrão bíblico, então o movimento carismático hodierno deve ser idêntico ao dos apóstolos. Se as línguas de Atos 2 eram 1ínguas conhecidas, as de hoje também o devem ser. 

Vejamos se os fatos confirmam esta realidade. Uma análise imparcial e conscienciosa nos indica que as "línguas" destes movimentos modernos não se assemelham a nenhuma língua conhecida. Tal declaração se baseia nos seguintes itens: 

1º) A ausência de qualquer estrutura lingüística. 

2º) O uso excessivo de uma ou duas vogais apenas. 

3º) Os sons e os vocábulos são totalmente desconhecidos. 

William J. Samarin, professor de antropologia e línguas da Universidade de Toronto, em seu livro Tongues of Men and Angels, pág. 227, afirma: 

"Na construção, bem como na função, as línguas são fundamentalmente diferentes das línguas existentes." 

Esta sua afirmação foi feita, depois de pesquisas baseadas no estudo de línguas diferentes, faladas nas reuniões pentecostais na Europa e América do Norte.  

Outra declaração bastante conclusiva pertence ao Dr. William Welmers, professor de línguas africanas da Universidade da Califórnia, 

"Eu devo declarar sem reservas que as gravações que examinei não se assemelham estruturalmente a uma língua. Não há mais do que sons de vogais contrastantes, e poucos sons peculiares de consoantes; estes combinam para formar bem poucos conjuntos de sílabas que se repetem muitas vezes em ordem variada." – Letter to the Editor Christianity Today, 8 de novembro de 1963. 

Explicações para o Movimento de Línguas Moderno

Dentre as múltiplas explicações existentes estas se destacam por sua preeminência: 

1ª) Ação diabólica. 

Sabemos que antes do verdadeiro derramamento do espírito, Satanás irá introduzi r uma contrafação. 

"Nas igrejas que puder colocar sob seu poder sedutor, fará parecer que a bênção especial de Deus foi derramada; manifestar-se-á o que será considerado como grande interesse religioso. Multidões exultarão de que Deus esteja operando maravilhosamente por elas, quando a obra é de outro espírito." – O Grande Conflito, pág. 464. 

2ª) Fraude. 

Os estudiosos destes movimentos afirmam ser comuns o engano, a simulação na prática deste dom, bem como com os dons de curar, profetizar e outros. Há muitos que fingem estar falando uma língua estranha quando na realidade existe apenas exibicionismo. 

3ª) Hipnose. 

Esta é a explicação mais comum, do ponto de vista psiquiátrico e psicológico, para a maioria dos casos de pessoas que falam "línguas". 

4ª) Catarse psíquica. 

Ira Jay Martim explica o fenômeno das línguas como uma catarse psíquica. 

Para esta classe, quando a pessoa aceita a Cristo, ela tem paz, confiança em Deus, fica livre do pecado, enfim seria uma purificação ou catarse. Este estado produz em muitos grande prazer, expressando estes sentimentos por cânticos, testemunhos e falar línguas. 

5ª) Orgulho espiritual. 

Considerado como o clímax da experiência espiritual o fenômeno de línguas, quando obtido facilmente, produz a exaltação própria. Este falar línguas leva a pessoa a se orgulhar. 

Gromacki, na obra já citada, no capítulo "A Natureza do Movimento Moderno de Glossolalia", estudando as fontes que podem determinar a experiência glossolálica moderna, cita estas: divina, satânica, psicológica e artificial. 

"Eu tenho sido instruída que quando alguém pretende exibir estas manifestações peculiares (falar em línguas, dançar, gritar, pular, etc.), isto é uma evidência decisiva que não é obra de Deus." – Manuscrito 115, 1908. 

Através do estudo feito pode se concluir que nenhum dom espiritual tem ocasionado tanta controvérsia na Igreja como o dom de línguas. 

Aprendemos, que a verdadeira natureza do dom de línguas mostrada pela Bíblia consiste de línguas estrangeiras faladas por crentes, que nunca as haviam aprendido e que este dom era controlado pelo Espírito Santo, ao contrário do que vemos hoje com o moderno dom de línguas, que utilizam sons desconhecidos e sem nenhuma base nas Escrituras Sagradas. 

Os estudiosos do moderno dom de línguas creem que estes fenômenos muitas vezes são explicados pela psicologia e como o resultado da contrafação diabólica do verdadeiro dom apresentado pela palavra de Deus. 

Uma análise das passagens bíblicas onde houve tais manifestações nos fornece orientações seguras para o dom de linguas. 

* O objetivo deste dom nos dias apostólicos era evangelístico e não para servir de sinal ou confirmação dos crentes. 

* Pelo estudo feito o dom relatado em Atos 2 referia-se a uma língua existente, que a pessoa passava a falar com fluência pelo poder do Espírito Santo. 

* Não há nenhum indício de que fosse uma língua ininteligível e extática. 

* A finalidade principal deste dom era a edificação dos crentes e o desenvolvimento da causa de Deus. 

 

Documentário extraído e adaptado do livro “Explicação de textos Difíceis /Glossolalia ou Dom de Línguas” de Pedro Apolinário - Professor de Grego e Crítica Textual no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia

Referencias:

1) Movimento Moderno de Línguas de Robert G. Gromacki; 

2) Luz Sobre o Fenômeno Pentecostal de Elemer Hasse; 

3) A Doutrina do Espírito Santo do Parecer da Comissão dos Treze.

 
 
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