O Preço do Resgate

04-05-2011 20:43

 Pessoas de imaginação turbulenta, no entanto levantaram a questão: 

“Se fomos resgatados, quem ficou com o preço do resgate?”
É interessante, mas a Bíblia não diz. Com o passar dos séculos fez-se notar uma sequencia dramática de cenas — em parte reais, em parte fictícias. De acordo com a lenda, o Pai e Satanás fizeram um trato, Adão vendeu seus direitos — na verdade sua alma — ao demônio. Conhecendo o sincero desejo do Pai de traze-lo de volta, Satanás, com um perverso sorriso nos lábios, exigiu o preço máximo, a vida do Filho de Deus, o objeto final do ódio de Lúcifer.
E assim, Jesus veio, e viveu sob o tacão do tormento de Satanás, e, finalmente, perdeu a vida. Mas, de acordo com a historia, Lúcifer acabou sendo derrotado, pois o Pai ressuscitou Seu Filho, privando Satanás de seu preço, como possuidor de nada além de uma sepultura vazia. Ele perdeu o preço que havia extorquido do Pai.
 
Importante Verdade
 
 
Analisando o contexto, descobrimos aqui uma ponta de verdade. Cristo deu, realmente, Sua vida para nosso resgate, já que éramos pecadores. Mas a pergunta que vale a pena ser mencionada, nada tem a ver com quem recebeu o pagamento. Existe uma verdade muito mais importante — a saber, que na expiação de Cristo foi pago um preço monumental, não em grosseiros termos comerciais, mas a fim de realizar a reconciliação entre nós, pecadores caídos com nosso justo Deus, para nos colocar na devida relação com o Senhor "Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida" (Rom. 5:10)
Diante de um Universo de espectadores, Deus demonstrou de uma vez por todas até onde iria a fim de tornar possível a redenção dos pecadores perdidos.  Nessa ampliação do Seu amor, é revelada a maneira pela qual Seu sacrifício tem que ver com as qualidades de resgate!
Jamais nos esqueçamos de que foi Deus quem iniciou nosso resgate, que saiu em busca do pecador. '
”Tudo isso é feito por Deus, que, por meio de Cristo, nos transforma de inimigos em amigos dEle" (II Cor. 5:18).  E Ele continua nos buscando hoje. Quando aceitamos Seu misericordioso convite, andamos na certeza da salvação a nós garantida por meio de Sua morte e ressurreição.
Numa sentença resumida, Paulo investiga a profundidade do que significa o amor de Deus por nós "Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo-nos ainda pecadores" (Rom. 5:8)|
 
Três verdades ficaram ai patente: 
 
*Primeira: Deus demonstra o tipo de amor que possui; 

*Segunda: Compreendemos nossa desamparada e sempre ignorante condição como pecadores; 

*Terceira: Observamo-Lo iniciando todo o plano.
 
No plano de Deus, Cristo cumpre o eterno concerto, saldando um compromisso feito antes da criação do mundo. Ele entregou voluntariamente a vida por nós. Estava cumprindo, em concordância, um proposito de proporções cósmicas.
E o que dizer de Seu amor? 
Desafortunadamente, amor tornou-se uma palavra quase desfigurada. Com muita frequência é ligada a sentimento, e até mesmo confundida com sentimento religioso. Mas, na Bíblia, amor é uma palavra de poder, não tendo nada de vago ou indistinto. 
O amor é dinâmico, Deus em ação seguindo nossas pegadas a fim de nos ajudar.  Amor é um principio, diz Ellen White Como pode ser isso. A resposta é que o amor de Deus traduz um compromisso inamovível, inviolável, uma predisposição em nosso favor que não pode ser desencorajada. 
Amor divino — não há como abala-lo ou detê-lo. É uma busca implacável da parte de um Deus ansioso por ajudar, que jamais desiste. Neste sentido, Deus é amor.
 
Mais que exemplo
 
 
Em meados da Idade Média um monge francês, de nome Pedro Abelardo, ideou o que cria ser o verdadeiro sentido do amor.
Essa ideia se tornou conhecida com o nome de Teoria da Influencia Moral Reagindo contra a ideia grosseira de resgate que predominava em sua época, argumentou que Jesus não era, de maneira alguma, um resgate, mas sim, alguém elevado. Se ao menos pudéssemos captar a nobreza do caráter de Deus, raciocinava, nosso coração egoísta derreteria, e seríamos levados ao arrependimento e o pecado seria abandonado.
Para Abelardo, a morte de Cristo era a suprema demonstração do amor de Deus; dai a descrição de Seu caráter. Assim, Jesus sofreu conosco para deixar o exemplo. Ele Se identificou plenamente e experimentou tudo o que a vida proporciona. Sofre com o pecador, e não apenas pelo pecador. Esta teoria reinterpretou o sentido dos textos que falam que Cristo morreu por nós.
Apesar do cerne de verdade, a doutrina de Abelardo afastou-se grandemente da figura bíblica completa. Ela apresenta Cristo como sendo sujeito à lei do amor em vez de ser Criador. A maneira branda como encara o pecado sugere que a dificuldade surge não tanto devido à violação do perfeito caráter de Deus por parte do pecador, como de sua falha em compreender a afeição que Deus tem por ele. Deixa de lado o ensino bíblico de que Cristo veio não apenas para demonstrar o amor de Deus, mas também para manifestar Sua justiça. Com a expiação descrita principalmente em termos de esclarecer Seu propósito, a obra de Cristo como sacrifício morto pelo pecador culpado é silenciada. Focaliza-se especialmente a iluminação moral interior, e nem tanto a morte física plena e aberta que resolveu o principal conflito que o pecado introduziu no Universo de Deus. Assim, Abelardo nos trouxe uma verdade parcial — Jesus como a demonstração inquestionável do infalível interesse de Deus por nós.
Mas salvação significa mais que uma revelação de bons sentimentos entre nós e Deus. Significa um confronto mortal entre justiça e revolta humana que nos envolve a todos. Significa um amor que levou Jesus ao supremo sacrifício a fim de obter para nós a reconciliação com nosso Criador.  A espantosa cena do Gólgota mostrou apenas vagamente um tipo de amor que, na realidade, significa assumir a culpa de cada pecado e sofrer suas consequências — total alienação de Deus. É unicamente aqui que vem a tona a profundeza do amor de um Deus persistente e cheio de renúncia própria. Paulo afirma: "Temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rom. 5:l). Ao aceitar a Cristo, temos a alegria da certeza da salvação, sabendo que somos perfeitamente aceito em Seu amor. Deus é amor, e a magnitude deste amor continuará a se desdobrando até nossos olhos ao buscarmos entrar pelas portas da eternidade!
Existe uma verdade deixada de lado pelos tradutores num texto muito familiar do Novo Testamento "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (I Cor. 15:3) Literalmente o texto afirma que Cristo se tornou o sacrifício em nosso lugar (grego, hilasterion), uma clara referenda ao antigo sistema sacrifical hebreu. Tanto superficialmente, quanto na sua base, o principio e substituição.
Típico das religiões pagãs, os antigos gregos usava as obras para apaziguar seus deuses, acalmando a ira e buscando sua aprovação com dádivas e um determinado sistema de ofertas, este conceito persiste entre alguns cristãos, hoje, surgindo algumas vezes em forma de argumentos sobre fé e obras. Mas apaziguamento, em qualquer premissa, é uma ideia pagã, digna de rejeição.
 
A favor do Pai
 
Na morte de Cristo, não existe nenhuma insinuação de que o Salvador estivesse Se esforçando por alcançar o favor de Deus. Com este favor já garantido, Sua confiança o levou ao Calvário, apesar do estremecimento provocado por sua constituição humana. Unicamente na cruz, confrontado pela separação da presença de Seu Pai em reação contra o pecado, e que o completo rompimento se tornou claro.  Quando o véu da nossa culpa caiu sobre Ele, Seus lábios expressaram um grito de agonia “Por que Me desamparaste?" (Mat. 27:46)
Com isto Ele caiu no poço da segunda morte, levando consigo o fardo da rejeição pela rebelião contra Deus. Neste ponto Ele está em nosso lugar. A Ele pertence o desespero dos pecadores perdidos olhando para a escuridão do esquecimento, destituído de esperança. Estando em nosso lugar, "o Salvador não podia enxergar para além dos portais do sepulcro. — O Desejado de Todas as Nações, pag. 753.  A morte se apossou dEle, como de um pecador abandonado, solitário, no lugar que, na verdade, pertencia a cada um de nós.
 
 
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"Levantai ao alto vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome, e por ser Ele grande em força e poder, nem uma só vem a faltar." Is. 40: 26